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 Sei que já disse isso antes, mas torno a repetir: certas coisas realmente são eternas e a sétima arte pode ser acrescentada à lista. Quer seja um filme medíocre, quer seja um clássico de farta bilheteria, é impossível apagar das mentes e dos corações as boas (ou más) impressões que causam, enterrando ou servindo de catapulta para futuros astros e/ou estrelas. Vejamos por exemplo o ator Sean Connery, atualmente em cartaz com o filme “A Liga Extraordinária”, interpretando o explorador Allan Quatermain. É um excelente ator e com uma vasta e diversificada filmografia, mas nunca conseguirá deixar de ser James Bond (o melhor, definitivamente) apesar de todos os esforços de Pierce Brosnan, o atual agente inglês com licença para matar, de nos fazer esquecer da figura de Connery. Outro caso é o ator Harrison Ford, que interpretou o arqueólogo Indiana Jones, ícone máximo de aventura do cinema. Mesmo com os atuais Brendan Fraser (Rick O´Connell de “A Múmia” e “O Retorno da Múmia”) e Angelina Jolie (os dois “Tomb Raider”) levando muitos ao cinema com seus filmes e não fazendo tão feio assim, ninguém conseguiu ser tão deliciosamente carismático e aliar tantos bons fatores num único filme de aventura como ele (e nem mencionei o Han Solo de “Star Wars”, notem). Seguindo essa linha de “eternos”, posso tranqüilamente incluir a figura de Christopher Reeves e o seu Superman, cujo filme está celebrando 25 anos e ganhou um belo Box Especial Comemorativo em DVD. Desde então, vários filmes de super-heróis têm surgido, mas poucos com a força e o carisma do Homem de Aço (à exceção, talvez, de “Homem-Aranha”).

Sei que posso ser execrada pelos fãs de Peter Parker, Matt Murdock, Hulk e X-Men, as atuais produções baseadas em HQ´s, mas é importante entender que “Superman – O Filme” foi o responsável direto por todos esse sucesso dos quadrinhos e seus subseqüentes filmes, já que foi exibido numa época em que personagem de quadrinho não saía das revistas e nem era levado a sério pelos grandes estúdios a ponto de gerar uma superprodução. Em graus comparativos, é complicado você dizer que um é superior ao outro, que um é mais fiel à proposta original do personagem do que o outro, mas uma coisa é certa: “Superman – O Filme” fez milhões de pessoas acreditarem no impossível (que o homem pode voar, que alguns são indestrutíveis e que o bem prevalece sempre) e abriram os olhos de produtores, diretores, atores e estúdios para uma área ainda inexplorada da sétima arte.
Muito antes de Christopher Reeve vestir a capa vermelha e a cueca por cima da calça, o kriptoniano Kal-El teve outro alter-egos, como Kirk Alyn, no finzinho da década de 40, em um seriado de bastante  sucesso. Os efeitos especiais eram bem rudimentares e as cenas de vôo eram feitas em desenho animado, mas o personagem já chamava a atenção. Lex Luthor, o maior de todos os vilões do Homem de Aço, não aparece nessa fase inicial e cabe à Spider Lady (?) a função de destruidora e antagonista do herói. Filme mesmo só na década de 50, com George Reeves (coincidentemente com o mesmo sobrenome que o Superman mais famoso, embora não haja parentesco entre eles). Episódio piloto da futura série, este primeiro filme foi um grande sucesso, porém somente em 1978, pelas mãos de um incipiente diretor chamado Richard Donner, que o personagem criado por Jerry Siegel e Joe Shuster realmente ganhou vida: Christopher Reeve não interpretava. Ele era o Superman.
A produção foi uma confusão sem fim antes de realmente começarem as filmagens (o que é de praxe em filmes assim), tendo problemas com roteiro, falta de diretor e a necessidade de encontrar algum ator que encarnasse o personagem de forma convincente.....afinal, ele iria voar na tela! Depois de várias idas e vindas sobrou para Mario Puzo (autor de um romance chamado “O Poderoso Chefão”, conhece?) a incumbência de escrever o roteiro, que inicialmente não foi aprovado e sofreu alterações. Depois de pronto, veio a desgastante tarefa de encontrar o elenco certo, que incluiu Marlon Brando (Jor-El), Gene Hackman (Lex Luthor), Margot Kidder (Lois Lane) e Christopher Reeve (Superman) como espinha dorsal. Os salários de Hackman e Brando foram altíssimos para época e reza a lenda que Marlon Brando não facilitou a vida de ninguém no set de filmagens, mesmo tendo o salário mais alto do elenco. Superados os problemas iniciais, a produção seguiu a passos largos, culminando em uma estréia avassaladora e na consolidação da imagem do Homem de Aço na América e depois no mundo. Junto com ele, lógico, Christopher Reeves, até então um mero desconhecido, entrou para a história. 
As cenas iniciais são até hoje lembradas pelos fãs, que inclui a destruição de Krypton e o envio do bebê para a Terra, mas todo o filme é muito bem conduzido e encadeado. Mesmo sem os recursos de hoje, os produtores fizeram um excelente trabalho nas cenas de vôo e naquelas que exigiam maiores cuidados especiais, rendendo três indicações ao Oscar e ganhando um outro especial, justamente pelos efeitos especiais. A história se resume a contar a trajetória de Kal-El, a nova identidade dada por seus pais terráqueos (Clark Kent) e a transição para a vida dupla de super-herói, acompanhada pelo inicio de sua carreira como repórter do Planeta Diário e sua relação com Lois Lane. É também nesse primeiro filme que o embate com Lex Luthor será mais visceral e até pessoal. O roteiro é simples? Sim, muito, se compararmos com o que assistimos hoje em dia nos filmes de super-heróis. Mas não lhe falta charme, carisma e uma trilha sonora de babar (vencedora do Grammy e conduzida por um cara chamado John Williams, já ouviu falar?).
 Nem é preciso dizer que o filme teve continuações, certo? Afinal, a fórmula hollywoodiana não muda e tivemos três seqüências “decrescentes” em matéria de talento: “Superman II – A Aventura Continua (1980)” é razoável, “Superman III (1983)” é ruinzinho, mas “Superman IV – Em Busca da Paz (1987)” é insuperável de tão ruim e banal. Escrito por Christopher Reeves, o roteiro até tem uma mensagem bonitinha, mas despenca diante de uma direção ruim e de um vilão pior ainda. Nesse meio tempo, se aproveitando da franquia “Homem de Aço”, foi criada a “Supergirl”, interpretada por Helen Slater. Fiasco de público e de crítica em 1984, este único filme da jovem kriptoniana Kara é completamente dispensável. Mas os garotos podem se entreter com a beleza da protagonista e a origem da personagem até que é bem explicadinha...... A pergunta que não quer calar: o que diabos gente como Peter O´Toole e Faye Dunaway foram fazer em “bombas” descomunais como essa?
Também é bom lembrar que além da Supergirl, foi criado o Superboy e um seriado de TV só para ele, iniciado em 1988. O seriado teve duas fases e dois atores diferentes interpretando-o: John Hymes na primeira e Gerard Christopher na segunda. 
O personagem andava meio esquecido na década de 90 e sem previsão alguma de um novo filme, apesar dos rumores. Em 1993, porém, estreou nos EUA a série “Lois e Clark: As Novas Aventuras do Superman”, com mais um estreante no papel principal (Dean Cain) e a bela Teri Hatcher vivendo Lois Lane. Alguns fãs chiaram com as mudanças promovidas, pois o enfoque havia claramente mudado de Clark para Lois, a verdadeira protagonista. Não sei se pela inexperiência de Dean Cain ou pelo próprio carisma de Teri Hatcher (que “engolia” seu colega de cena facilmente) como a intrépida repórter, mas a estrela não era o Homem de Aço, apesar de seus esforços. Até mesmo Lex Luthor (John Shea) sucumbiu aos seus encantos, disputando a beldade a tapas com Clark Kent, ao mesmo tempo em que tenta descobrir uma maneira de destruir o Superman. A série foi cancelada em meados de 1997, tendo um último episódio bastante polêmico ao mostrar o casal Lois e Clark, com chances mínimas de terem filhos, encontrando um bebezinho na porta de casa envolto na capa do Superman. A série ainda é exibida pela TV aberta.
 Atualmente, porém, os holofotes estão focados em “Smallville (2002)”, seriado “carro-chefe” da Warner e que, diferentemente das abordagens anteriores, resolveu mostrar o Clark adolescente, descobrindo os poderes e fraquezas, apaixonado pela menina mais linda da escola (a gracinha Kristin Kreuk) e grande amigo de Lex Luthor (Michael Rosenbaum). A relação de amizade entre Clark e Lex e a paixão por Lana Lang são os pontos fortes do seriado, pois provocam uma certa angústia no telespectador, sabedor da futura inimizade mortal entre eles e do futuro amor por Lois Lane, deixando no ar apenas perguntas: o que de tão grave separará dois rapazes que se tratam como irmãos? O que acontecerá a Lana Lang, alma gêmea do jovem Clark?
O gatão Tom Welling tem provocado gritinhos e suspiros nas adolescentes do mundo inteiro, seguido de perto pelo mais novo careca sexy da TV, Michael Rosenbaum. A série é uma das coisas mais interessantes na TV atual, mesmo que tome certas liberdades criativas que difiram dos quadrinhos. Não poderia deixar de comentar a badalada presença de Christopher Reeve em um dos episódios mais importantes da segunda temporada, quando Clark faz fortes descobertas sobre sua origem. Além de ser uma bela homenagem ao eterno Superman, tetraplégico devido a uma queda de cavalo, essa participação serviu para observarmos a leve semelhança entre Tom Welling e o Christopher Reeve jovem. Quem não perdeu o episódio e prestou atenção, deve ter notado que a música-tema do Homem de Aço pôde ser ouvida na cena do grande encontro em Metrópolis. 
Os rumores de um novo filme do Superman em 2005 ou 2006 tornam-se cada vez mais fortes, embora poucas coisas saibamos ao certo sobre a produção, tão enrolada quanto a primeira em 1978. De certo mesmo, só a chance de ver o único Superman de verdade, no conforto de casa e na alta definição do DVD. O Box Especial é obrigatório para colecionadores. Agora só nos resta esperar por um novo filme e torcer para que seja digno do mito que ele é. 19/10/2003
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