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Quando no 2º Festival Upload – na primeira edição a organização conseguiu escalar as excelentes The Maybees e Astromato - o vocalista da banda, ainda desconhecida, Violins And Old Book, que abria a noite para bandas já consideradas grandes como Cachorro Grande e Los Hermanos, avisou que na platéia estava a venda o EP da banda “Wake Up And Dream”, muitos adquiriram o EP que logo se esgotou, alguns destes são fãs até hoje, mesmo com a transição entre a língua americana e a língua pátria.
É muito bom ver o crescimento de uma banda. Se traçarmos uma linha evolutiva entre o primeiro EP, o primeiro disco em português “Aurora Prisma” e “Grandes Infiéis” lançado esse ano, será perceptível uma clara evolução. Enquanto “Wake Up And Dream” cantado em inglês emulava resquícios de Radiohead e o rock inglês, “Aurora Prisma” escolhia como esteio quase que o mesmo caminho, porém cantado em português rimava sofrimento e questionamentos com as belas melodias e quando as guitarras indicavam a direção era visto no horizonte algo de Muse, que no mais recente CD está mais clara.
A boa escolha às guitarras ao invés de harmonias mais trabalhadas – mesmo que essas ainda marquem presença no atual lançamento – faz com que os entusiastas no rock agradeçam à banda. Dentro da prolífica cena rock atual no país é possível dizer que o Violins é uma das antenas da raça – assim como escreveu o poeta Ezra Pound, e nos lembrou o jornalista Arthur Dapieve - senão uma parabólica.
Por tudo isso que quando uma mensagem na caixa postal avisava em letras garrafais “Violins em São Paulo dia 18 de novembro”, fez a teimosa esperança no rock dar sinal de vida mais uma vez. Para algumas pessoas esse estilo de música tem papeis totalmente diferentes, para o escritor Nick Horby ele serve para nos fazer felizes por estarmos vivos, já para o contemporâneo André Takeda – aliás, autor do release do CD anterior da banda – ele tem o papel de nos fazer sorrir, para outros tem que nos provar que ainda vale a pena seguir em frente e lutar pelos sonhos, mesmo que esses tenham se esquecido de seguir em frente.
Mas como medir a qualidade de um show de rock ou, ainda, como saber se esse foi realmente bom? Algumas ferramentas servem de bússola para que essa possível avaliação seja feita. È preciso ter um conhecimento pré-adquirido da banda, gostar da mesma a ponto de tirar a pessoa da tranqüilidade e conforto do seu lar para leva-la até o show, ter contato com recentes lançamentos e gostado, também, destes.
É preciso encadear esses questionamentos e idéias porque no esperado dia 18, a banda Violins que lançou até agora o segundo melhor CD nacional do ano, o excelente “Grandes Infiéis”, apresentou-se em São Paulo na minúscula Funhouse, e conseguiram acolher em seu show todos os pontos citados acima. Era conhecida do público presente e as novas músicas prometiam muito ao vivo.
Após uma discotecagem que apelava para o novo Franz Ferdinand e o primeiro Strokes, o sinal de OK com o polegar do guitarrista e do vocalista Beto Cupertino foram as bússolas para que a boa música mostrasse o porto seguro. Pela primeira vez na cidade desde o lançamento do excelente “Grandes Infiéis” o Violins abriu o show com as canções deste. Algumas canções ganham mais peso nas guitarras e porradas literais na bateria como “Hans”, “Il Maledito”, “Ensaio Sobre Poligamia”, “Matusalém”; outras como “Glória” e “Convênio” dão um passo a mais para tornar-se pop, essa última em particular, dentre as citadas, ganhou a platéia pelo refrão gostoso.
Sempre quando um fã vai ao show de uma banda leva guardado na cabeça a listinha que gostaria que fosse executada. Por isso, quando os primeiros acordes de “Nada Sério”, “S.O.S.” onde o piano antes do final da canção chamou merecida atenção e especialmente a balada do show “Vendedor de Rins” - onde cada verso, cada pausa era seguida e cantada por todos - soaram nas caixas acústicas a exaltação e alegria fazia-se perceptível em cada rosto. Todas, sem exceção, ficam belíssimas ao vivo, mesmo quando as guitarras ocupam o lugar dos metais que marcam presença no CD.
Ninguém seria ousado em imaginar um show melhor, entretanto quatro momentos ficarão marcados para os presentes no show: Beto anuncia uma música do CD anterior e faz uma versão sublime para a delicada “Qual A Criança?”, mesmo após anos – eles haviam tocado a música no festival citado no inicio do texto – a canção tornou-se mais bonita. Dois momentos podem ser entendidos como iguais, “Atriz” com guitarras no máximo, um vocal seguro e furioso e refrão como grito de guerra fizeram dessa a melhor canção do show, momento indescritível. O show se aproxima para a penúltima música, Beto anuncia mais uma canção do CD anterior, a listinha da cabeça por eliminação mostra que uma canção falta: “Deus Você” transforma-se em um hecatombe de guitarras e questionamentos, Beto e Léo elevam seus instrumentos ao extremo e a canção acaba.
A banda que a todo momento agradeceu aos fãs anuncia um tchau tímido e transforma a balada “Ok Ok” em hino. Os versos “A felicidade sempre ofende/ mas tristeza demais cansa” talvez não encontrassem morada naquela casa, na seqüência o que é quase imperceptível em disco poderia ser revide para os que sentiam-se felizes, mas não cabe aqui repetir palavras, a poesia de Beto e o ótimo instrumental da banda falam por si e, esperasse, por uma geração, “Grandes Infiéis” mostra isso.
Ao final do show uma menina definiu com as melhores palavras – aquelas que faltam aos que escrevem – o que havia sido a apresentação da banda: “Esse é daqueles shows que quem vê pela primeira vez fica fã.” É possível acrescentar: assim como aqueles que compraram o primeiro EP.
Talvez o maior medo de quem usa as palavras como meio de comunicação ou de contato é encontrar a tela em branco e não fazer esse estado mudar. Muitas vezes faltam palavras para transmitir um filme, livro, CD ou show visto, nessas horas a frase dita por Lou Reed “Falo por meio das minhas palavras”, faz com que quem escreve calar-se.
Pierre, Léo, Pedro, Diego e Beto fizeram um show antológico. Mas para eles, lamentamos, não há palavras. Ao menos não ainda. Há coisas que nos ajudam a viver. 05/12/2005
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