|
Casey Dienel - de vinte e um anos - canta, escreve suas composições e toca piano de forma encantadora. Suas melodias buscam estrutura no jazz, folk e rock clássico.
A garota, que diz ter crescido escrevendo canções no seu quarto "de portas fechadas para que ninguém as pudessem ouvir", tem influências de Joni Mitchell, David Bowie, Pavement e Cole Porter. Suas músicas tratam de "loucura, bêbados, homens velhos, gatos e cachorros, cowboys (...) e romances que deram errados".
Criada em Boston, estudou no conservatório New England. Ela toca o piano desde os quatro anos e a música foi a forma mais fácil de Dienel fazer amigos, diz a cantora que na adolescência era extremamente tímida.
Wind-Up Canary, seu álbum de estréia, foi gravado em uma casa abandonada, numa fazenda, com a ajuda de amigos do conservatório e um piano emprestado de um hotel local. O resultado não é pop, não é rock, não é jazz, não é folk. Trata-se de um gênero no qual se encontram artistas como: Joanna Newsom, Jolie Holland e Nellie McKay. Após as gravações, guardou o material, acreditando que não iria render em nada, até que um amigo de um amigo mandou uma cópia para a gravadora Hush que fez questão de lançar o trabalho.
 A voz de Dienel é doce como a de musas do jazz, citando aqui Billie Holiday. Suas músicas têm o piano como base e letras capazes de descrever seus personagens nos mínimos detalhes, como nos acordes frágeis e eficientes de "Fat Old Man" (uma das minhas favoritas), sobre um amigo da cantora - "chewing aspirin like it's M&Ms". Por sua vez, "Cabin Fever" nos transporta, inicialmente, ao universo melódico de Jon Brion, enquanto que o vocal (de textura jazzística) lembra Fiona Apple sem o tom agressivo. "Frankie and Annette" relata a história de amor entre dois jovens de 16 anos, comparados aos "famosos" criminosos Bonnie & Clyde. E a frase "Frankie said it was fate, Annette said it was love", soa magnífica no desfecho da canção do jovem casal.
A primeira faixa do álbum ("Doctor Monroe") apresenta um piano jazz saltitante como se estivesse sendo executado em um cabaré - assim como "All or Nothing", ao estilo de Nellie McKay, e o refrão sabe envolver seu ouvinte - tanto na letra como nos acordes. "The Coffee Beanery" soa como um musical de teatro, enquanto que o banjo folk pop de "Baby James" desencadeia uma harmonia em uníssono entre o piano e os solos de trompete. A gravação de "Stationary" causa sensação de estarmos num bar dos anos 40, com pouca luz e apenas a voz de Dienel, falando sobre um amor que não sucedeu, e a guitarra sendo iluminadas num pequeno palco.
A utilização de elementos como cordas, sopros e piano - procure pela faixa "Tundra", dão forma e característica ao material. Não há excessos, tudo é muito bem estruturado e as gravações soam naturais - sem aquelas pressões de estúdio. As melodias são simples e complementam-se com a riqueza das composições. Casey é o tipo de artista que chega a ser difícil de descrever. Suas canções são de uma beleza rara, suas harmonias de uma textura pegajosa e "Wind-Up Canary" é um dos discos do ano. 31/07/2006
|