De zero a dez
 
 
 
 
 
Ele é de uma simpatia cativante. Criado por Mort Walker a quase cinqüenta anos vive suas aventuras desastradas e imaginativas em pleno coração das forças armadas. Com seu carisma preservado durante todo este tempo, o Recruta Zero tem lançada no mercado editorial uma publicação que reúne todas as primeiras tirinhas estreladas por ele, desde setembro de 1950 até dezembro de 1951.
Com o título de Recruta Zero Ano Um(160 páginas.R$79), a Opera Graphica traz a todos os aficionados em histórias em quadrinhos esta peça histórica de puro deleite e diversão e resgata o personagem que muitos ainda desconhecem. E vale a pena dar uma espiadela nesta criação que nem sempre viveu momentos de aceitação generalizada durante o decorrer de sua história.
Logo que foi criada e publicada, a tirinha – e o personagem conseqüentemente – não tinha uma unanimidade quanto ao quesito “engraçado”. O próprio Recruta Zero, concebido inicialmente como um estudante universitário, já tinha o perfil malandro, preguiçoso e esperto que o caracterizaria para sempre (além do indefectível boné enfiado até os olhos), mas não tinha o sucesso junto ao público. A distribuidora King Features, responsável pela divulgação do trabalho, teve sérios problemas quanto à recepção dos leitores e foi até cogitada a suspensão da sua distribuição nos Estados Unidos. Ora, eram tempos de guerra na América – desde 1950 que guerreava-se contra a Coréia – e Walker decidiu tirar o nosso herói do Campus e alistá-lo no Exército. Mudando de ares e de “ambiance”, vieram as novas situações, os novos colegas e os novos desafios. Ah, e veio também o sucesso.
Nascido com o nome de Beetle Bailey, coisa que muita gente desconhece, no Brasil tomou emprestado o nome de outro personagem de seu universo, o amigo Zero, conhecido por aqui como Dentinho. O nome pegou. O livro conta esta e outras andanças de Walt e sua criatura até a transformação no que ele é hoje. Mas o universo onde ele habita é muito maior e o relato que o autor faz mostra o nascimento do perfil psicológico e gráfico de outras figuras curiosas, como o Sargento Tainha, Quindim, General Dureza e a Dona Tetê, mostrando como e porque a fórmula deu certo. Mort Walker tem hoje 83 anos e ainda ajuda na elaboração das histórias deste sujeitinho divertido.
Estar no exército é puro acaso nas aventuras do Recruta Zero. O seu aspecto humano, irreverente, brincalhão,- excepcionalmente “virão”-, cativam pelo que tem de universal. As tiradas bem humoradas, as construções do roteiro e o apuro gráfico transformaram este herói das HQs num clássico que merece ser lido e conhecido por todos que possuam um mínimo de curiosidade e tentam entender o que é que faz algumas criações de décadas e mais décadas atrás se manterem atuais e vibrantes.
Iniciativas como esta da Opera Graphica acabam se tornando item obrigatório e mostram o porque dos quadrinhos terem saído de debaixo dos colchões da garotada para as estantes das casas e para as bibliotecas de escolas, sejam elas de nível básico até universitário.
22/10/2006
 
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