Carne nova na cena do rock moderno
Por: Alessandro Oliveira
 
 
Tá certo, a “carne“ não é tão nova assim. Esta banda, que conta com membros do notório Slipknot, já tem um bom tempo de existência. Inclusive, já lançou anos atrás seu debut-cd, auto-intitulado. Mas o fato é que agora, com o lançamento do segundo full-length, o Stone Sour enfim está se tornando um nome mais conhecido – e reconhecido – na cena roqueira.
Com uma proposta moderna e de fácil digestão pelos ouvintes das Rock-FMs mundo afora, o vocalista Corey Taylor e o guitarrista James Root fazem um som que não guarda, absolutamente, qualquer similaridade com o trabalho de sua outra banda, a que lhes deu renome na cena New Metal e se mantém, conforme declaram os próprios caras, como o enfoque principal de sua carreira (algo que, particularmente, acredito que tenda a mudar com o tempo).
Apresentando melodias simples e diretas, composições cativantes e os vocais – aqui limpos – de Corey (e não é que o cara tem um belo e convincente timbre? Quem conhece o trampo do cara na outra banda pode imaginar que ele só sabe urrar e esbravejar) o Stone Sour tem tudo para satisfazer fãs do estilo que consagrou formações como Creed, Nickelback e Pure Inc. Este seu segundo álbum abriga músicas mais funcionais dentro do cenário que o quinteto obviamente objetiva atingir.
“Sillyworld” é um tema que provavelmente vai cair em programações radiofônicas e gerar clipe para TV. Tem aquele equilíbrio perfeito que cai no gosto de um público mais genérico, começando como uma bela balada e avançando para uma composição de certa pegada. “Through Glass” usa uma abordagem semelhante, e é outra forte candidata a hit. Bem como “Zzyzx Rd” (ahn?!? Nomezinho interessante, hein?).
Claro, as influências de vertente mais pesada em que atuam alguns dos músicos não poderiam ficar completamente ausentes, e em muitos momentos isto gera linhas melódicas com leve conexão com o Heavy Metal, sem necessariamente fazer referência ao New Metal, estilo cada vez mais execrado e inexpressivo.
Mas o que mais distingue o Stone Sour de bandas assemelhadas (como as supracitadas Creed, Nickelback e Pure Inc.) e ainda representa um vínculo com o Slipknot, são algumas abordagens vocais esporadicamente adotadas por Corey ao longo de Come What(ever) May. Algumas linhas mais viscerais, quase brutais, dão um toque a mais em alguns momentos, o que ajuda a diferenciar as faixas entre si. E, o que é melhor, o lance ocorre sem soar como imitação do que ele faz em sua outra banda. É um recurso que foi, felizmente, adaptado à fórmula do Stone Sour com a maior coerência possível.
Este é certamente um nome no qual devemos ficar de olho, com enorme potencial para invadir nossos lares através de programações radiofônicas e televisivas. E, com o declínio do New Metal, pode acabar até sendo o projeto principal dos músicos aqui envolvidos, alçando vôos ainda mais altos e longos. Claro que eles não podem admitir isto, ao menos por enquanto...
14/01/2007
 
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