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 Dave Mustaine verdadeiramente é um guerreiro, um lutador. Não digo em relação a aquela eterna briga e competição entre ele e Lars Ulrich, e sim, porque por vários outros fatores: venceu o alcoolismo, as lesões no braço (que forçaram o encerramento das atividades do Megadeth), e depois, ressurgiu com a banda, anos depois de ter declarado o seu fim.
Provavelmente, “The system...” foi idealizado no período de descanso forçado de Dave, e este trabalho, na verdade, era para ter sido um solo de Mustaine. Me desculpe que acha diferente, mas o Megadeth é, e sempre será Dave Mustaine, sendo impossível desvincular a imagem da banda a de seu fundador, e por isso, foi uma atitude louvável e correta dele utilizar o nome da banda neste trabalho.
Neste álbum, devemos dar uma boa atenção aos músicos – contratados – envolvidos, por sinal, extremamente competentes. Fora vários convidados, podemos destacar os músicos-base de todas as músicas, no caso Mustaine, Vinnie Colaiuta – por sinal, um magnífico baterista – o baxista Jimmy Lee Sloas, e a grande surpresa, Chris Poland, um velho conhecido dos fãs do Megadeth, afinal, Poland foi membro da formação original. Mustaine conseguiu juntar elementos suficientes para fazer um álbum tão impressionante e equilibrado em peso e originalidade, sendo absolutamente impossível não se gostar dele.
No que diz respeito à sonoridade, ele muda um pouco de faixa para faixa, mas seguramente posso afirmar que ele ficaria entre a fase “Peace Cells”, “Countdown to Extinction” e “Youthanasia”, com elementos descaradamente aparentes do metal da NWOBHM. Já nas letras, Mustaine aposta em sua fase mais recente: guerras nucleares, política corrupta, religião, Deus... 
Fazendo uma análise faixa a faixa do álbum, temos:
“Blackmail the Universe” – Pancada de cara! Ela lembra muito as músicas de “Peace Cells” e “So far, so good, so what”, e começa com um riff marcante. Sem sombra de dúvida, a melhor do álbum;
“Die Dead Enough” – Começa com um trabalho de guitarra muito interessante, além de adicionar algo incomum ao som do Megadeth: teclado. O refrão e a base trazem à memória elementos de trabalhos mais recentes do Megadeth;
“Kick the Chair” – Essa música se encaixaria perfeitamente em “Rust in Peace”, com uma participação grandiosa de Colaiuta. Grande música;
“The Scorpion” – Experimental até a medula, traz linhas vocais diferentes, além da presença de um teclado bem safado, que não estraga a composição de forma alguma, além de alguns efeitos. Outra particularidade são os solos, todos de Mustaine;
“Tears in a Vial” – Outra do Megadeth de uma fase mais moderna. Inclui instrumentos atípicos, como percussão, teclado e viola. Outro destaque é a letra, saca só: “I had to walk away/give up something I love/for what I loved evem more/and save my tears for you;
“I Know Jack” – Uma vinheta muito pesada para “Back in the Day”;
“Back in the Day” – Boa música com grandes vocais e letra. Surpreende em sua segunda metade;
“Something That I´m Not” – Mais um experimentalismo de Mustaine, soa como “The World Needs a Hero”;
“Truth be Told” – Alterna de tempo, timbre e peso o tempo inteiro;
“Of Mice and Men” – Música mais “comum” do album, mas com boa participação de Jimmy Lee Sloas;
“Shadow of Deth” – Uma marcha pesada, que trás Mustaine recitando o Salmo 23;
“My Kingdom” – Música cadenciada, com destaque para o solo de Poland.
 Bom, pessoalmente não sou um entusiasta do Megadeth, mas justiça seja feita: Mustaine arquitetou um grande trabalho, talvez até mesmo seu melhor álbum. Pra quem achava que ele não representava nada, taí a resposta. Mustaine é o cara. 08/03/2007
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