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Glorious: The Singles 97-07 pode ser considerada uma coletânea, não há dúvidas, mas não poderia se chamar “Greatest Hits”, porque afinal de contas Natalie Imbruglia nesses 10 anos de carreira teve poucos hits (infelizmente).
 Natalie, cantora e atriz australiana de 33 anos, pode ser considerada uma das maiores injustiçadas do pop. Apesar do seu talento, do seu carisma e de sua beleza, a moça ainda é lembrada apenas pela música “Torn”. Posso dizer com toda certeza que o ser humano que nunca ouviu “Torn” não vive nesse planeta. Além de tocar exaustivamente nas rádios (até mesmo hoje em dia), a canção ainda foi trilha sonora de filmes americanos e no Brasil entrou na trilha da novela Corpo Dourado de 1998. O mais curioso é que “Torn” não é a melhor música da Natalie, ao contrario, provavelmente é uma das mais fracas e nem ao menos é composição sua. Independente disso, Natalie é considerada uma “one hit wonder”, entrando no grupo de cantoras como Meredith Brooks com “Bitch” e Paula Cole com “I Don’t Wanna Wait”.
Seu primeiro disco, intitulado “Left On The Middle” foi lançado em 1997 e conseguiu chegar a marca de mais de seis milhões de cópias vendidas ao redor do mundo. O álbum trouxe além de “Torn” outros três singles: “Wishing I Was There” (que também obteve boas posições em charts), “Big Mistake” e “Smoke”. Alguns consideram o disco mais comercial dela. Não acredito que seja. Tirando “Torn” e “Wishing I Was There”, poucas eram as músicas que tinham cara de hit. Além disso, quem ouve o disco hoje em dia percebe o quanto ele tinha um som bem cru. “Leave Me Alone”, por exemplo, continha uma aura de cabaré que dificilmente tocaria em alguma rádio fm.
O primeiro disco trouxe para Natalie muita pressão para que o segundo trabalho fosse melhor. Uma de suas atitudes foi se isolar na cidade de Windsor, na Inglaterra, tentando ficar longe do mundo da fama, mais ou menos como fez Alanis Morissette que foi até a Índia antes de lançar seu segundo disco “Supposed Former Infatuation Junkie”. Em Windsor ela compôs o seu segundo disco. No ano de 2001, Natalie voltou diferente. Ela não tinha mais aquele visual rebelde mal entendida de antes. Agora ela estava melancólica e triste. “ White Lilies Island”, título do segundo disco, continha arranjos mais ricos e suas letras eram mais simples, porém, mais profundas.
Entre suas doze canções não existia (nem existiu) uma “Torn”. Nenhuma música estourou nas rádios e o disco não vendeu o mesmo tanto, mas ele é com certeza seu melhor trabalho até hoje. O encarte continha fotos que se relacionavam com as músicas. Entre as imagens vemos cigarros e taças de bebidas, vícios da Natalie. As canções são as mais impactantes de sua carreira até hoje. Começando por “That Day”, primeiro single e uma das preferidas dos fãs. No clipe vemos Natalie andar em meio a muitas pessoas que não percebem sua existência, e que em certos momentos até mesmo esbarram nela como se a própria não estivesse ali. “Beauty On The Fire” que se tornou single mais tarde abordava seu problema com o álcool. “Butterflies”, uma das mais belas do disco, narra uma vida em meio às drogas chegando até a morte. “Satellite” e “Wrong Impression” são as duas canções que mais destoam do disco. São alegres e açucaradas, A segunda citada foi escolhida como single e conseguiu boas posições no Hot 100 da Billboard. Para fechar o disco vinha “Come September”, com um som doce, porém com uma letra amargurada. Na minha humilde opinião, sua melhor música dentre todos os seus discos.
Passaram-se mais quatro anos e veio seu terceiro álbum “Counting Down The Days”. Dessa vez a melancolia do disco anterior não estava mais presente. Algumas músicas até traziam uma tristeza, como a própria faixa título onde ela diz sentir saudades do marido, mas no todo, o disco era bem mais alegre se comparado aos outros dois. “Starting Today”, “Satisfied” (com vocais do Daniel Johns, seu marido na época) e “Perfectly” são bons exemplos disso. O primeiro single “Shiver” conseguiu ser a música mais tocada nas rádios britânicas naquele ano e o disco conseguiu o primeiro lugar da parada inglesa no seu lançamento. Vale lembrar que na época de “Torn”, mesmo com todo aquele sucesso, Natalie não tinha sido primeiro lugar. O segundo single “Counting Down The Days” não obteve boas posições nos charts e a divulgação do disco parou por aí. O baixo rendimento da música não quer dizer que ela seja ruim. Provavelmente era uma das melhores do disco, junto com “Come On Home” regravação mais dark da banda Black Car, “When You’re Sleeping” e “Honeycomb Child” com uma atmosfera intensa.
 Depois desses três álbuns, chegamos até “ Glorious: The Singles 97-07”, que até agora não foi lançado no Brasil. Os nove singles dela estão no disco que vem ainda com mais cinco inéditas, entre elas a faixa que dá nome ao disco “Glorious”. A música e o vídeo são muito alegres. Nele aparece uma Natalie Imbruglia bem diferente do que vemos em outros clipes como “Shiver” ou “That Day”. A música chegou ao top 30 da Inglaterra, posição bem mediana, porém o disco em si ainda conseguiu a 5ª posição em uma semana onde estrearam também a ótima KT Tunstall, o tenebroso 50 Cent e o fenômeno em vendas Kanye West. As outras inéditas do disco lembram muito o estilo brit-pop, principalmente “Against The Wall”, música que seria um bom single e que lembra um pouco “Good Morning Joan” da banda sueca The Cardigans e “Be With You”. Outra canção maravilhosa é a balada “Stuck On The Moon”, ótima para se ouvir de olhos fechados e com bons pensamentos.
Alguns disseram que esse disco seria desnecessário, principalmente porque são poucos singles e apenas três discos lançados nesses dez anos sendo que algumas bandas demoram o dobro de tempo para lançar um GH, porém, “Glorious” celebra uma carreira firmada por meio de um trabalho como cantora que mantem a qualidade de suas músicas independente do que o mercado fonografico dita e esse já é um motivo suficiente para dar crédito ao disco. O pop de Natalie Imbruglia é honesto, acima de tudo. Não existem apelações, roupas curtas nem refrões repetitivos. Sua imagem não não está atrelada a escandalos e polêmicas cada vez mais comum no mundinho pop. Para quem não conhece Natalie Imbruglia ou para quem conhece somente “Torn”, o disco pode mostrar de forma resumida o bom trabalho dessa jovem cantora que não tem mais o mesmo espaço nem reconhecimento que já teve anos atrás, mas que vem se mantendo desde então criando ótimas músicas.
Para quem aguarda um álbum de inéditas, Natalie já prometeu um disco para 2008 e segundo ela será um disco alegre, porque ela cansou de ser triste. Segundo a própria, agora ela quer somente se divertir. Agora é esperar, se o disco seguir a mesma linha de qualidade dos anteriores, já valerá a pena. 22/04/2008
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