Completamente dissecado
Por: André Bisk
 
 
Como compreender a fundo o que acontece no abismo que é o Metallica, um monstro de 20 anos de carreira? Porque o Metallica fez tantos trabalhos, sendo uns tão diferentes dos outros? Porque eles ficaram tanto tempo ausentes no cenário metal underground/mainstream? Essas perguntas, que pessoalmente, nunca achei que seriam respondidas, na verdade foram escancaradas, no documentário “Some kind of monster”, sob a ótica Joe Berlinger e Bruce Sinofsky.
É interessante primeiro observar esse documentário como algo sério, e não como um “reality show”. É um abrir de cortinas, onde verdadeiramente a banda mostra o que é a verdadeira estrutura, seja ela infra, física e psicológica necessária para suportar o dia-a-dia da gravação do álbum “St. Anger”, da convivência ruim entre Ulrich e Hetfield, da dificuldade de controlar seus egos, das conseqüências da batalha judicial contra o Napster e principalmente dos problemas com a saída de Jason Newsted, e na quase dissolução da banda.
O documentário parte da produção do álbum, da escolha da locação, no intuito de fazer algo diferente. Na verdade, apesar de ser coadjuvante no documentário, percebe-se a importância do terapeuta contratado pela banda. Ele é o ponto de equilíbrio dentro do contexto de relacionamento entre os membros da banda. É emocionante ver certos momentos pessoais, como a presença de Dave Mustaine, esclarecendo tudo o que precisava falar sobre a sua demissão frente a frente ao Lars, da escolha de Robert Trujillo como novo baixista, buscando o legado de Cliff Burton, a muito deixado para trás.
Esse documentário é importante para as novas gerações (e até mesmo a velha guarda) do metal ver o quanto pode deixar de ser divertido ser um Metallica, mas ao mesmo tempo ver a importância de uma banda do calibre dela ser uma empresa, e ver como os problemas, sejam quais sejam são tão grande como eles.
Não vou falar muito mais sobre o assunto, porque tal como um filme, não é legal saber o que rola nele a fundo sem ver, mas posso afirmar com certeza que se você gostava do “St. Anger” vai gostar ainda mais, e se não, pelo menos vai aprender a respeitar o Metallica por toda a sua obra, sem exceção. Um material importante e conclusivo para fãs, e para quem não gosta da banda.
 
30/06/2008
 
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