Eminence
Por: Jairo de Souza, André Bisk
 
 
O Eminence é a maior promessa do metal brasileiro. Em 1999 a banda lançou, pela Cogumelo Records, o elogiado Chaotic System, seu primeiro álbum, que conquistou a graça do público underground. O disco lhes rendeu vários shows fora do Brasil e a possibilidade de ter um novo disco produzido por Neil Kernon, que já trabalhou com bandas importantes do metal mundial como Cannibal Corpse e Nevermore.
O PoppyCorn bateu um papo com o guitarrista Alan Bello que falou sobre a entrada na banda do baterista André Márcio, ex-baterista da banda Overdose, das dificuldades de uma banda de metal se manter no cenário musical, new metal, o novo disco, entre outras coisas...
 
PoppyCorn --> O que você pode nos adiantar sobre o novo disco? O que vocês querem passar com o nome Humanology?
Alan: Bom, este novo álbum está mais pesado do que o Chaotic System e está baseado em reações humanas. O nome Humanology seria o desciframento dos seres humanos e suas variações psicológicas principalmente nos tempos atuais.
 
--> Como será trabalhar com Neil Kernon, que já produziu Cannibal Corpse e Nevermore? Por que ele foi o produtor escolhido por vocês?
Alan: Bom, não sabemos ainda como vai ser pois estamos em fase de pré-produção e devemos gravar o Humanology em outubro, mas acreditamos que irá ser uma boa parceria com o Neil, na verdade, foi ele que nos escolheu e não a gente ....risossss.
 
--> Nesse novo disco vocês colocarão outra música cantada em português, como Rota, do Chaotic System?
Alan: Já temos 12 músicas prontas e por enquanto todas serão em inglês.
 
--> Vocês pensam em fazer algum cover para o novo cd?
Alan: Não temos nada em mente.
 
--> É fácil ouvir as influências de Sepultura e Fear Factory nas suas músicas. Qual o seu nível de contato com essas bandas e alguém da banda é fã?
Alan: O Jairo (Guedes, baixista) é muito amigo do Sepultura, pois ele já tocou com a banda (no primeiro disco do Sepultura) e nós temos uma boa relação e com o Fear Factory nós não conhecemos ninguém mais acho o trabalho deles muito interessante. Respeitamos muito o trabalho das duas bandas e gostamos também.
 
--> Qual o motivo da saída do baterista Adolfo Americano? E por que André Márcio, ex-baterista do Overdose, foi o escolhido para preencher essa lacuna? O quanto ele influenciou no som da banda?
Alan: O antigo baterista já não estava mais se adaptando à banda principalmente na parte musical, na minha concepção ele estava mais para baterista de estúdio do que para apresentações ao vivo, e assim que terminou a tour já era uma nova fase. Logo com a saída dele tínhamos alguns bateristas em mente mas o André foi o que se monstrou mais apto para tocar. O André trouxe uma nova cara para o Eminence, estamos mais diretos sonoricamente.
 
--> Como foi a repercussão do Chaotic System fora do Brasil?
Alan: Está sendo muito boa. No ano de 2001, fizemos 40 shows na Europa e o Chaotic foi lançado no velho mundo.
 
--> Existe uma possibilidade de se fazer uma miniturnê de divulgação do novo disco dentro do estado de Minas?
Alan: Sim, temos o maior interesse em tocar aqui em Minas mas o grande problema são os produtores que não acreditam nas bandas de Heavy Metal.
 
--> É preciso viajar para fora do Brasil para fazer um disco com uma boa produção e mixagem?
Alan: Na minha opinão, temos excelentes estúdios que nos dão possibilidade de fazer ótimos trabalhos.
 
--> Como você analisa o atual cenário musical para os conjuntos brasileiros de metal?
Alan: A maior dificuldade são os espaços para tocar e as longas distâncias. Temos um mercado bastante variado e com excelentes bandas. Eu acho que as rádios poderiam dar mais apoio ao underground.
 
--> Quais as dificuldades para uma banda independente?
Alan: A gravação do seu trabalho, espaço para tocar e divulgar nos meios de comunicação. Na minha opinião, esta é a grande batalha.
 
--> Fazer metal no Brasil é viável?
Alan: Seria o mesmo que perguntar se comer é bom. Metal é uma energia que está dentro de todos nós e em qualquer lugar do mundo é viável.
 
--> Assim como o punk, o metal começou tendo como primeiros fãs jovens que viviam em grandes cidades mas que eram, na sua maioria, da classe pobre. Muitos buscavam no metal uma forma de se libertar dos padrões da sociedade. Hoje em dia, essa situação não é mais a mesma. Como você vê o aumento de bandas de new metal? A maioria dessas bandas possuem um público de classe média alta. O metal perdeu sua função?
Alan: É graças ao metal que temos o new metal e suas variações. Eu acredito que o new metal pode perder a sua função se não houver uma reformulação. Existem várias bandas de New metal mas o mercado já está saturado.
 
--> Do que você sente mais falta no metal atual e o que você acha um exagero?
Alan: Acho que estamos numa fase boa da música pesada mas tem hora que tem muita choradeira no metal.
 
--> Em pouco tempo vimos o fim do Megadeth, do Fear Factory, o quase fim do Metallica. No Brasil, o fim da Dorsal Atlântica e o quase fim do Raimundos. O metal está acabando ou existem substitutos à altura dessas bandas?
Alan: Eu acho que existe um pedaço do mercado para todo mundo. E o metal sempre estará aí, sempre dando as suas voltas com seus altos e baixos.
 
--> Belo Horizonte já foi o berço de muitas bandas importantes para o metal nacional e internacional. Qual é a importância de BH hoje?
Alan: Temos excelentes bandas aqui, eu acho que continuamos como o celeiro de bandas pesadas.
 
--> O metal no Brasil já possui um público grande e não está mais restrito aos moradores das capitais. É fácil conhecer bandas vindas de cidades muito pequenas chamando a atenção de quem tem a chance de ouvi-las. Pequenos festivais estão sempre acontecendo em várias cidades por todo o Brasil. Você não acha que o underground está sendo subestimado pelas grandes gravadoras?
Alan: Sempre o underground foi subestimado por grandes gravadoras e pelas pequenas também, que só querem ganhar dinheiro rápido e fazer investimentos a curto prazo.
 
--> O que é pop?
Alan: Tudo o que é popular dentro e fora das suas respectivas tribos.
 
--> Qual o último disco que você escutou e gostou? E qual você não gostou?
Alan: Kills Witch Engage achei muito legal. Nickelback achei a banda do momento que não colou.
 
--> Show inesquecível?
Alan: AC/DC.
 
--> Rock é sinônimo de quê?
Alan: Vida.
 
--> Diga 5 discos que não saem do seu aparelho de som.
Alan: Slayer - God hate us all. Vaniilla Ice - 1998. AC/DC - High Voltage. Van Halen - FUCK. Eminence - Chaotic System.
 
--> Qual a grande promessa do momento? E qual a grande decepção?
Alan: Promessa: Lula para presidente. Decepção: Newton Cardoso, candidato para governador de Minas.
21/10/2003
 
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