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Bastou um simples seio, ainda que maquiado com uma estrela prateada encobrindo o mamilo, para que os Estados Unidos regredissem ao nível de países que eles tanto criticam. Nações fundamentalmente muçulmanas na ocasião de grandes eventos, tomemos a copa do mundo de futebol como exemplo, atrasam o envio de imagens para seus países. A medida é tomada para que cenas como a de uma mulher desprovida do tradicional lenço na cabeça, tão comum na religião muçulmana, sejam cortadas e não cheguem às casas dos seguidores do Alcorão.
Isso quer dizer, caros amigos fanáticos por esse mundão pop sem porteira, que se por acaso Christina Aguilera, a parte feminina do Black Eye Peas ou até mesmo Meg White resolvam entrar na onda e mostrar um seio durante a entrega dos prêmios Grammy, nós possivelmente e infelizmente seremos poupados de tal(is) cena(s).
Alguns amigos meus há certo tempo atrás tiravam sarro da palavra delay por desconhece-la. Perguntavam-me se era alguma coisa perigosa, uma doença, e quando iriam pegá-la. Tal brincadeira soa quase como os comediantes do Saturday Night Live chamando Osama Bin Laden pra briga antes de 11 de setembro de 2001. O delay é um perigo real e imediato neste domingo, quando figurões da indústria fonográfica yankee trocam presentinhos entre si fora da época de Natal. E já promete se alastrar como uma doença até o Oscar no dia 29, perigando gostar da idéia e fazer frente às gripes asiáticas, ficando por mais tempo.
 O fato é que desde que Janet Jackson deixou que Justin Timberlake (ao som da contagiante Rock Your Body ao fundo) rasgasse uma parte de seu bustiê e um de seus seios aparecesse - isso durante os shows de intervalo da final do campeonato de futebol americano, um dos eventos de maior audiência na televisão no mundo, detentor dos maiores índices de captação publicitária -, que aquelas mesmas instituições de famílias católicas e de reuniões sociais republicanas e retrógradas que tacharam filmes como Dogma e artistas como Marilyn Manson de perigosos, estão rindo à toa dos moderninhos sexualmente mais liberados.
Sobrou pra duas empresas do grupo Viacom irem pedir desculpas públicas: a MTV, que organizou o show, e outro canal, CBS, responsável pela transmissão do evento. É claro que Janet também teve que aparecer pra se desculpar. E olha que a irmã do rei do pop nem é tão formadora de opinião assim. O strip-tease transmitido ao vivo para todo mundo aconteceu bem na hora em que a voz de Timberlake anunciava, estaremos nus antes do fim da canção. Pode apostar que sim, Justin!
A caça às bruxas do Tio Bush serviu por alimentar a bilionária indústria que registra escândalos envolvendo celebridades. O Google ferveu nos últimos dias, quando o peito de Janet foi mais procurado do que o vestido colado no corpão de J.Lo em uma edição passada do Grammy, ou o vídeo erótico da herdeira da rede de hotéis Hilton. Eu não gosto nem de pensar na possibilidade de Justin ter deixado seu saco aparecer via satélite e da quantidade de informação que estaríamos sendo proibidos de acessar por causa disso agora.
A mídia americana fabrica armas de destruição em massa e uma medida preventiva é necessária, nem que alguns relatórios tenham que ser falsificados junto com a Inglaterra e uma sigla tenha que cair por causa disso, que seja a MTV, CBS ou BBC! As coisas não eram tão melhores quando Madonna só encostava seus lábios nos de Britney e Christina? 06/02/2004
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