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Bob Dylan, Neil Young, Van Morrison, Joan Baez, Graham Nash, David Crosby, Steve Stills.... Esses são uns poucos nomes que fizeram sucesso na década de 70 e que são conhecidos até hoje. Porém, infelizmente, um nome deveria estar presente nesta lista e, por desleixo nosso (como ouvintes e apreciadores da música), não o damos grande atenção. Mesmo tendo feito discos importantíssimos (mais de 20 álbuns em 30 anos de carreira), o nome Joni Mitchell ainda é estranho para muitas pessoas que se dizem amantes do rock.
 Joni Mitchell, nascida Roberta Joan Anderson, passou por muitos problemas durante a sua carreira e, acima de tudo, se mostrou uma mulher lúcida e decidida. Sem dinheiro, com dificuldade de mostrar sua música ao público e grávida do ex-namorado, Joni teve que se casar, no desespero, com o cantor folk Chuck Mitchell, de quem herdou seu sobrenome artístico. O casamento durou apenas um ano e meio e, anos mais tarde, em 1967, Joni conheceu Elliot Roberts e o ex-membro do The Byrds, David Crosby, os quais foram de grande ajuda para o seu sucesso, conseguindo contatos para gravar seus discos e lugares para que ela pudesse se apresentar.
Depois disso, o sucesso veio rápido. O primeiro disco, entitulado somente de "Joni Mitchell" mas apelidado de "Song to a Seagull", foi lançado em 68 e vários artistas começaram a regravar suas músicas. Em 69, ela lança "Clouds" e, em 1970, recebe o Grammy de Melhor Artista Folk, o que foi o suficiente para a gravadora Reprise lançar, no mesmo ano, seu terceiro disco, "Ladies of the Canyon", que emplacou nas rádios e tornou-se seu primeiro disco de ouro (500.000 cópias).
Nesta época, o sucesso que Joni Mitchell tanto procurava começou a sufocá-la. A artista se dizia estar "presa em uma gaiola" e isolada do mundo. Com isso, ela reduziu drasticamente o seu número de apresentações, vendeu sua casa em Los Angeles e se escondeu na recém-comprada residência em British Columbia, perto da natureza, onde dispunha de serenidade e privacidade. Joni continuou lançando discos mas eram raras as suas aparições públicas, salvo alguns shows beneficentes.
 Foi logo no primeiro ano de reclusão que Joni lançou a sua obra-prima: o disco "Blue". Este foi um dos álbuns confessionais mais importantes da história. Joni disse que estava em um "estado emocionalmente transparente" quando ela fez esse disco. Estudante de arte e pintora, Joni usa neste disco o azul como a cor que representa o seu momento de vida. Não um azul brilhante como o de um céu sem nuvens. Mas o azul enegrecido e sem vida que traz melancolia e tristeza. A capa do disco é um retrato do seu conteúdo. "Blue" é composto de um ciclo de canções que meditam sobre amor, perda e distância. Como bem disse o produtor Henry Lopez Real, "seus temas e inspirações são muito mais variados que a sua reputação de que é uma trilha sonora para a escolha entre a solidão e o amor". Realmente, o disco é muito mais complexo que isso, vide "Last Time I Saw Richard", cantada pela Legião Urbana em seu álbum acústico.
As canções de Joni Mitchell são como feridas expostas, contos de amor e perda (duas palavras que possuem um relativo significado aqui) estampados com uma complexidade atordoante; até mesmo as faixas como "All I Want", "My Old Woman", e "Carey" - a mais branda, o momento mais esperançoso do disco - são escurecidas por momentos amargos de sofrimento e solidão.
Como a artista não falava mais com a mídia, muito do material lírico do disco é entendido por suposições. Em algumas letras, Joni é bem explícita quanto aos seus sentimentos, mas, em outras, ainda é difícil decifrar o que passava no coração da artista ao compor suas canções. Somente recentemente foi que descobriu-se que a canção "Little Green" falava sobre o filho que Joni deu para adoção, fato que ficou guardado até 1994 (vinte e três anos depois do lançamento do disco). Neste ano, Joni cedeu uma entrevista para a revista Vogue na qual declarou: "Eu tinha dado luz a uma criança, estava falida, totalmente quebrada. E encontrei Chuck Mitchell, que disse que cuidaria de nós. Eu me sentia um pouco desgovernada... nunca nos entendemos. Fui à casa de adoção e disse 'Não consigo sair dessa situação'".
"Blue" é, sem sombra de dúvidas, o álbum mais importante da carreira da artista e um dos álbuns mais importantes da história do rock/folk.
Algumas curiosidades sobre a artista:
- Joni ainda vive reclusa e quase nunca cede uma entrevista. Em uma das poucas entrevistas que cedeu, ela exigiu ser entrevistada pelo seu ídolo, Morrisey (ex-The Smiths). Morrisey, que também é fã declarado da artista, atendeu prontamente ao pedido e a entrevista (ou melhor, bate-papo) foi realizada.
- Em 2002, Joni lançou seu mais recente álbum, "Travelogue". Neste mesmo ano ela declarou: "eu tenho nojo de participar desse cenário musical", se referindo à industrialização que a música veio sofrendo.
- Várias das capas dos seus discos são assinadas pela própria cantora, já que Joni tem o hobbie de pintar desde a infância.
- Na segunda metade da década de 70, Joni começou a revelar seu interesse pelo jazz e chegou a gravar, em 79, um disco com o baixista Charles Mingus, entitulado somente de "Mingus".
- Em 1970, no Festival Isle Of Wight, considerado como sendo o Woodstock inglês, o show de Joni foi interrompido quando um homem entrou no palco pela parte de trás, retirou o microfone das mãos da artista e proferiu palavras reprovadoras quanto à organização e ao significado de um festival como aquele. O homem teve que ser arrastado para fora por seguranças. Este homem, curiosamente, era Charles Manson, o famoso serial killer. 19/02/2004
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