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Soybonilla, uma banda de Brasília, formada por Marconi Fernandes (voz/violão), Raphael Cunha (voz/guitarra), Marcelo Pontes (baixo) e Rafael Cavalcanti (bateria) é uma das promessa do rock nacional. Em seu trabalho, conseguem administrar bons ritmos baseados em influências de mpb, rock e pop.
Suas composições possuem um gingado de rock brasileiro - até mesmo na faixa "The Heart Song", cantada em inglês e de autoria da banda. Uma das grandes virtudes do grupo é usar o violão como base e guitarras para os arranjos necessários ao longo das melodias, como acontece em "Certeza".
Canções como "A Dança", "Igual Demais" e "Laurita" têm boas chances de cair no gosto popular, principalmente a primeira, por possuirem uma musicalidade nacional de presença sem ser comercial - como tudo que vem sendo feito atualmente na indústria fonográfica.
Apesar dos poucos recursos, afinal estamos falando de uma banda independente, temos aqui um caso de como se aproveitar ao máximo os instrumentos que se têm e fazer uma boa música. As faixas não passam de 3 minutos, mas o pouco tempo de duração não afeta no resultado, já que o recado está dado num trabalho que merece a devida atenção.
PoppyCorn --> Em primeiro lugar: porquê Soybonilla?
Soybonilla: O nome é sempre algo difícil de escolher. No nosso caso, nos preocupamos mais com a sonoridade, com algo que identificasse também o som da banda. Acabamos por criar uma palavra que não tem realmente um sentido, mas que definitivamente tem uma inspiração latina, talvez pela presença de música latina no gosto dos membros da banda. Mas realmente não tem a pretensão de significar nada.
PoppyCorn --> Algumas composições são similares ao estilo musical dos Los Hermanos. Qual o diferencial do trabalho de vocês?
Soybonilla: Este comentário é feito por grande parte de nossos ouvintes. De fato, a banda toda gosta muito do trabalho do Los Hermanos, o que exerce uma influência inevitável nas nossas composições. Nós também usamos alguns recursos em comum, como acordes típicos da bossa nova misturados com outros ritmos. No entanto, parte das composições foi feita antes do lançamento do Bloco do Eu Sozinho, o CD que a gente mais aprecia deles; e algumas antes até do lançamento do primeiro CD da banda carioca. Acredito que o motivo das pessoas nos associarem ao Los Hermanos vem do fato de eles serem o maior expoente (senão o único com visibilidade) da música brasileira que explora amplamente elementos da MPB mesclados com rock. Mas essa onda não vem de agora, pois podemos encontrar várias bandas no Brasil que já faziam algo neste sentido. Essa onda já vinha acontecendo há um bom tempo e acabamos entrando nela também.
PoppyCorn --> Quais as principais influências dos membros e como juntar tudo isto dentro de um mesmo trabalho?
Soybonilla: O Soybonilla, como toda banda atual, tem diversas influências. Acho que já incorporamos mesmo a concepção de que nenhuma nova idéia de composição é nova totalmente. Ouço nitidamente nas composições elementos de vários artistas que escutamos, mas dizer aqui quais são acabaria perdendo a graça e de fato não faria muito sentido, pois temos nos surpreendidos com as referências de influência que as pessoas têm encontrado ao ouvir o nosso trabalho. Há associações com outras bandas que ouvintes perspicazes fazem que nós mesmos nem percebemos.
PoppyCorn -->Existe alguma faixa em especial que vocês gostam de tocar?
Raphael Coutinho: Particularmente, gosto de "The Heart Song", "Inútil Ilusão" e "Ocupada".
Rafael Cavalcanti: Gosto muito de tocar "A Dança", é uma música cujo arranjo me agrada muito tocar. Também gosto da energia de "Ocupada" e "Inútil Ilusão".
Marcelo Pontes: Gosto de tocar todas as faixas, mas tenho uma certa preferência por "The Heart Song" e "A Dança".
Marconi Fernandes: Cada integrante tem suas preferências em relação às músicas. Realmente não daria pra dizer isso pela banda. Eu arriscaria "Certeza" e "Inútil Ilusão".
PoppyCorn --> Por que existe uma composição em língua inglesa no disco?
Soybonilla: Provavelmente, estávamos mais acostumados com uma sonoridade de língua inglesa na músicas. Tem a ver com a influência das bandas inglesas que temos. E principalmente com a boa fluência que o Rafael tem na língua inglesa. Ele tinha costume de escrever algumas letras, coisas pessoais, e achava que elas soavam melhor em inglês. De fato, ainda temos uma ou duas outras músicas com letras em inglês - todas dessa fase inicial da banda. Acabou que começamos a compor em português, vimos que isso fazia mais sentido. Hoje, o português tanto no CD como nas demais composições ainda não gravadas da banda predomina, mas também não nos proibimos de cantar em outras línguas.
PoppyCorn --> A banda já vem fazendo shows? Como está sendo a repercussão do trabalho de vocês?
Marconi Fernandes: A banda, desde sua criação, se propôs mais a ficar em casa tocando, experimentando e fazendo gravações caseiras... não tínhamos pressa em trabalhar nosso som para esquema de shows. Fizemos um show apenas e outras duas apresentações rápidas. Com a entrada do Marcelo (baixista), a coisa acelerou mais. Tentamos enxugar ao máximo todas as músicas e botá-las num formato de gravação para divulgação. O resultado foi o CD demo. Estamos por enquanto só divulgando o trabalho e aptos para tocar ao primeiro sinal de convite ou inscrição para Festival que tiver. Até agora tivemos muitos elogios e críticas muito boas, várias até têm demonstrado perplexidade com o trabalho, o que é extremamente empolgante para a gente.
PoppyCorn --> Quais as dificuldades de uma banda independente e como analisam o mercado da música atualmente no Brasil?
Soybonilla: O Brasil é um país que tem muita produção fonográfica, contando as demonstrações e independentes. Com certeza há muita qualidade, no entanto, o mercado fonográfico é altamente concentrado e competitivo. Não há espaço para uma banda fazer uma carreira começando com pouca vendagem. Há sempre um abismo tremendo entre os artistas que estão no topo, para os que querem tentar se promover, pois os primeiros já têm um espaço e produção garantida para grandes vendagens. Poderíamos falar em concentração de capital cultural na mão de poucas empresas e poucos artistas. Além da falta de dinheiro, há a dificuldade de conciliar a música com outras atividades, tais como trabalho e estudo.
PoppyCorn --> Como estão as propostas de lançar o disco com uma gravadora?
Marconi Fernandes: Até agora enviamos o trabalho apenas para uma gravadora e para alguns selos de distribuição (todos independentes). Vamos enviar nosso trabalho para muitas mais gravadoras, no entanto tentamos fazer as coisas a seu devido tempo. Temos um CD de demonstração para divulgar para as pessoas e esperamos por espaços que vão se abrir para gente tocar. Estamos abertos e atentos para propostas, esperamos que elas surjam, mas não vamos dar passos além do que alcançamos... não estamos especulando muito sobre o futuro, estamos mais concentrados em tocar e aprimorar nossas qualidades. 30/04/2004
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