Faixa-a-faixa com o Piscadela 182
Por: Júlio Ibelli
 
 
Com o álbum homônimo que chegava às lojas no fim de 2003 (quarto da banda lançado por uma grande gravadora), o Blink 182 acabou com o jejum de um ano fora dos holofotes da música pop. Desde o disco anterior do trio, Take Off Your Pants and Jacket, de 2001, o guitarrista Tom e o baterista Travis se embrenharam no inexpressivo projeto paralelo Box Car Racer, Sum 41 e Good Charlotte surgiram para ameaçar o principado do punk-pop mundial (o reinado é do Green Day há muito tempo e ninguém tasca) e companheiros de parada do Blink 182, como Sugar Ray, Smash Mouth e Offspring, apostaram todas as suas fichas em uma duvidosa mistura de rock com música eletrônica. Blink e No Doubt parecem ter sido as duas únicas empresas a saírem com a roupa do corpo dessa jogatina.
No entanto Blink 182 é uma reunião de músicas meio estéreis, onde o pioneirismo das experimentações acaba comprometendo o rock appeal da banda. Como por exemplo em Violence, a tentativa do Blink em parecer o novo rock nova-iorquino, com batidinhas oitentistas e guitarras maneiras. Sofrível, não fossem os rompantes juvenis de hardcore a música estaria perdida. Depois da inovação anterior, a tentativa de recuperar a reputação vem a seguir com Stockholm Syndrome, uma boa música, com poucos erros, diferente do que o trio costuma fazer: uma faixa pesada e festeira à lá Andrew WK.
Felling This dispensa apresentações, tanto que já foi ouvida e discutida em rodinhas de adolescentes no meio pátio de qualquer escola durante o recreio. Bom refrão, momentos angustiantes e um clipe cheirando a espírito adolescente moderno, dirigido pelo bola da vez David La Chapelle.
Obvious é um emocore onde percebe-se o Blink 182 correndo atrás da bola cantada pela banda mais querida do Disk MTV, o Good Charlotte, pra não ficar pra trás no gosto do público. O jogo de esconde-esconde com guitarras furiosas e vozes gritadas não funciona nem empolga. A vontade é de pular logo para a próxima faixa, I Miss You, que é talvez a melhor música do álbum, a mais bem-estruturada harmonicamente. Vem para confirmar a facilidade com que o Blink cria baladas e consegue acertar em cheio com elas, vide Adam's Song em Enema Of The State e Stay Together For The Kids em Take Off...Always não é uma balada, mas de tão romântica e pegajosa (no bom sentido), com letra e melodia andando tão bonitinhas de mãos dadas, merece encerrar esse parágrafo.
Down é o bom e velho Blink 182, um pouco infectado novamente pelo emo é preciso dizer, com pianinhos em passagens mais calmas acompanhados de pitadas de discotecagem. A velha fórmula que os consagrou também é a receita usada em Asthenia e Go, que lembra um pouco, letras e melodia, First Date, do cd anterior. Rock é pra ser assim, tocado sem trégua e de preferência, sem nenhuma mistura comprometedora, a não ser que estivéssemos falando dos papas dessa alquimia. The Fallen Interlude é instrumental, cheia de efeitos, sem uma noção de ser, plantada bem no meio do disco.
Easy Target é um hardcore pouco denso, de batidas fortes e boas guitarras, ideal para embalar os momentos de descanso ainda em movimento, daquelas rodas punk que nunca param. Robert Smith, do The Cure, aparece em All Of This para fazer dela "A" ode atrasada do Blink 182 aos anos 80, em um belíssimo momento do álbum. Quase nos esquecemos que estávamos vindos de um disco irregular com infelizes atrevimentos eletrônico.
Here's Your Letter, direta e sem enrolação, aprovada com o selo de qualidade dos bons tempos de Blink, acorda os saudosistas que estavam chorando de olhos fechados com a música anterior. I'm Lost Without You, rasgação de seda sentimentalóide, dá lugar à última faixa, versão ao-vivo da grande música Anthem Part Two, de Take Off..., uma boa surpresa aos ouvidos. Boa forma também de encerrar o disco, lembrando os bons e velhos tempos onde a banda desprezava os sintetizadores e não fazia escolhas erradas. O saldo geral é de como Blink 182 fosse o tão temido segundo cd da carreira de qualquer banda (apesar de ser o terceiro de estúdio), ou seja, um pequeno retrocesso e estacionada na mesmice.
06/05/2004
 
Voltar

Comentário dos leitores:

Blink 182 era uma banda tão legal e punk. Mas esse CD não foi legal, pois foi muito infectado pelo som emo, que é na verdade uma coisa que eu odeio. Não viajo muito em emocore.
gabmaster

blink 182 era muito bom eu adorava que pena q acabou mas tenho esperança q voute
oiiiiiii

eu concordo um pouco com sua critica, mas sem esquecer que com todos os erros blink 182 é sim uma das melhores bandas que já existiu na califórnia e no mundo...e blink 182 mergulhou um pouco no "emo" que eu também não curto ....por causa da fase que se passava mundialmente.....com good charlotte e outras bandas qu esão melósas mais são grandes bandas.....blink não continua na mesmice....blink usa uma pequena pitada do que já foi..assim qualquer pessoa que já tenha ouvido blink 182...pode identifar, que aquela é a banda.....sem esquecer que blink 182 não é emo.....e sempre serão os "caras" mesmo não querendo ser "os caras"!.!!E é uma pena pelas novas bandas dos ex-blink 182,, são todas sem bases de midía que é preciso "sim"!eles não tem o gosto de bandas que te faz chorar ou ficar feliz, sorrir gritar e sempre pensar neles!esse utimo cd não foi decepcionante..eles só arriscaram uma propósta pro novo blink mais não deu certo infelizmente...blink já revoluciono o punk com o green day... e eu acho que eles vão voltar pra revolucionar essa porra novamente .....e é isso ai mais um fan-atticus ..do blink 182!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!11
Rafael

Blink não se discute se amaaaaa
Renan Milani

blink 182 era tudo eu amava o batera q era o travis barker ele era de + q pena q acabo!+ como diz o ditado acabo a banda + meu amor pela musik do blink 182 nunca ira acaba
larissa

blink 182 foi mais do q uma bandinha californiana mais sim uma revolucinadora do punk rock mundial .eles abussaram com a pitadas de emocore em algumas musicas mais nunca perderam de vista o punk rock sempre demonstrando q eles faziam sons q eles gostavam , eles como ramones são eternos e ninguém cosiguira fazer um som tipo o deles nem eles mesmos com seus novos projetos ,tom com sua nova banda angels and airwaves(ele decaiu muito com essa banda um som muito diferente) mark e travis com a banda plus 44(eles ainda estão punk mais nada se compara a quando eles estavam juntos no blink) eles nasceram para tocarem juntos até o fim eles fazem o som falar mais auto naõ sei porq foram tolos de terminar a banda mais se deus quiser eles vão voltar ainda mais punk ainda mais blink ainda mais loucos´pois blink é a banda q é eterna e não deve acabar o maximo é entrar em férias por alguns tempos .......Valeu...esperança blinksmaniacos.......
Marcelo Ramone

pô,eu creci ouvindo blink,essa banda faz parte da minha vida,sou e serei sempre fâ da banda que revolucionou o punk rock...e eles vão voltar sim pode esperar.
samuel

>> Clique aqui para enviar seu comentário!



    ATUALIZAÇÕES
17/06 Van Damme, a redenção [JCVD]
17/06 Katie Melua [Katie Melua - The Katie Melua Collection]
28/05 Canto de casa para todos os pretos [Lívia Lucas - Canto de Casa]
28/05 Da Lama ao Caos. [Chico Science & Nação Zumbi - Da Lama ao Caos]
17/04 Meio que tardio [Guns and Roses – Chinese Democracy]
DO MESMO AUTOR
   LEIA TAMBÉM
28/09/2005 Decifra-me ou te devoro! [Enigma de Kaspar Hauser]
19/10/2003 Pulley [Pulley - Together Again For The First Time]
27/06/2004 Entre miados e histórias: manual para entender o Garfield
19/09/2006 O desespero alemão [O Desespero de Veronika Voss]
14/11/2006 Mais um Brasil [A Coroa, A Cruz e a Espada (Eduardo Bueno)]