Produto de exportação
Por: Eduardo Féres
 
 
O Brasil é um dos poucos países no mundo que goza de grande reputação no cenário musical. Da Música Popular Brasileira e suas inúmeras vertendes como o samba, bossa-nova e MPB de Carmem Miranda, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Caetano, Gil, Milton e Baden Powell ao rock dos Mutantes, Sepultura, Angra e Shaman. Até mesmo a música eletrônica não escapa, através de DJ Patife e DJ Marlboro, além da gravadora de Iara Lee, a Caipirinha Records.
E é bem provável que brevemente o Brasil exporte mais um talento musical. Oriundos do mesmo berço do rock que gerou Capital Inicial, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Raimundos, os caras do Khallice fazem um metal progressivo de muito respeito e talento, indispensáveis em quaisquer grupos de prog metal.
E foi através do lançamento do debut The Journey, através da Hellion Records, em 2003, que o grupo passou a receber ainda mais prestígio na cena musical.
Formados em 1994 pelos músicos Marcelo Barbosa (guitarra), Cid Moraes (baixo), André Marrom (vocais), André Cabelo (bateria) e Bruno Wambier (teclados), o Khallice começou tocando covers de “de Rush, Deep Purple, Led Zeppellin de bandas de progressivo como Yes, Marillion, Symphony X e Dream Theater”, conforme revelou Marcelo Barbosa, guitarrista líder e fundador do Khallice, em entrevista por email. No ano seguinte, o grupo passou a compor suas próprias canções, em português. Em 1996 ocorre a “maior mudança” nos rumos da banda, com a chegada de Mário Linhares, conhecido pelo seu trabalho como vocalista da banda Dark Avenger, com as mudanças “nas letras [passaram a ser em inglês] e no peso das músicas”. “Vale dizer que a opção pela lingua inglesa, além de abrir para o exterior, não fecha para o Brasil. (...) Você já ouviu samba em japonês? É no mínimo estranho. Acredito que o rock progressivo soe melhor em inglês”, afirma o guitarrista. No fim de 1999, após um hiato de quase dois anos sem apresentarem, a banda entra em uma nova fase: sai Mário Linhares, entra Alírio Netto, cantor lírico catarinense que estava em Brasília participando da montagem brasileira do musical da Broadway Jesus Christ Superstar no papel de Jesus.
Em 2001 o Khallice foi a banda de prog metal que teve suas músicas mais “baixadas” no site www.mp3.com por dois meses consecutivos, fazendo com que recebessem o título de Dream Theater Brasileiro. “O Dream Theater é, na atualidade, o expoente máximo do nosso estilo. Então é normal que haja a comparação. Admiramos muito o trabalho deles. Então, quando nos comparam não deixa de ser um elogio, pois não é qualquer um que consegue fazer um trabalho desse nível técnico. Mas, por outro lado, é claro que queremos cada vez mais ter uma identidade própria e essa tem sido a nossa maior preocupação atualmente.”, revela Marcelo. Depois de gravar o disco e lançá-lo de forma independente no início de 2003, o álbum esgota-se rapidamente, chamando a atenção do pessoal da Hellion, que resolveu apostar as fichas no talento do grupo.
The Journey é uma album progressivo, de uma banda de prog metal. E o que se espera dos integrantes de bandas de prog metal é experiência profissional e talento nato. E de fato os integrantes são. A atual formação conta com o vocalista Alírio Netto, Michel Marciano no baixo, o baterista Cezar Zolhof e o tecladista Renato Gomes, além de Marcelo e Bruno Wambier. O talento e experiência de Alírio já são conhecidos. Bruno Wambier é o tecladista da famosa (e ótima) banda Natiruts. E Marcelo Barbosa é o proprietário do GTR, um dos maiores institutos de guitarra da América Latina, além de colaborador das principais publicações especializadas em rock. E Michel, Cezar e Renato são realmente competentes em suas atuações.
O álbum acompanha 9 composições, com muita virtuose, com muitos solos de guitarra e de teclado e tudo que o estilo Prog Metal oferece. The Journey traz algumas participações especiais de grandes músicos locais e a banda ainda disponibiliza uma décima faixa para download em seu site, a música “Madman Lulaby”, que corresponde a versão gravada para o tributo a Arnaldo Baptista. E dentre as faixas contidas no disco, as canções “Thundersotrm”, “Vampire”, “Turn The Page” e “Prophecy” – as melhores do álbum – respondem por si só porque o Khallice é chamado de “Dream Theater Brasileiro”.
Com The Journey, o Khallice já pode ser considerado um dos maiores nomes do Prog Metal brasileiro na atualidade e também uma das grandes promessas mundiais do estilo. Mais um produto de exportação da talentosa música brasileira.
 
Visitem o site do Khallice e façam o download da faixa “Madman Lulaby” no endereço www.khallice.com.br
 
 
24/09/2004
 
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