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 Em 2003, quando fui fazer minha lista de melhores discos do ano, lá estava Departure, de Carla Werner. Um disco que surpreende qualquer ouvinte do início ao fim.
Direto da Nova Zelândia, ela pode ser comparada como uma versão feminina de Jeff Buckley, como percebe-se em músicas como “Enough” e “Like Mercury”. Seu trabalho de estréia apresenta melodias explosivas (como a faixa título) que contrastam com sua voz sensível de forma magnífica, - ou até mesmo em sonoridades menos acentuadas (a belíssima “Love You Out”, "Heaven is a Word" e “Crimson and Gold”), demonstrando grande expressividade por conta da cantora.
Realizado sob a supervisão de vários produtores, entre eles John Holbrook (Natalie Merchant, Fountains of Wayne), Ken Nelson (Coldplay) e Carmen Rizzo (Alanis Morissette, Paul Oakenfold), Departure é uma jornada de sentimentos e sensações comandada pelo agradável talento de Werner.
PoppyCorn --> Quando você começou a cantar? A jornada foi fácil?
Carla Werner: Desde que era criança estava cantando em todos os lugares. Os palcos comecei a frequentar quando fiz onze anos. Nenhuma jornada é fácil, não é mesmo?
PoppyCorn --> Como sua família a influenciou neste meio? Li que seus pais possuem uma excelente coleção de discos e seu avô tocava em uma banda.
Carla Werner: Sim, estar rodeada de música constantemente quando era mais nova foi uma forte influência, definitivamente. O fato de outros membros da minha família tocarem e cantarem, me fez sentir que aquilo era muito normal.
PoppyCorn --> E quais músicos a influenciaram?
Carla Werner: Kate Bush, Pink Floyd, Led Zeppelin, P.J. Harvey, Jeff Buckley, Nina Simone, Perfect Circle, Björk, Radiohead, John Martyn.
PoppyCorn --> Verdade que você participou de competições na Austrália como cantora? Como foi este processo até o lançamento de seu primeiro disco (Departure)?
Carla Werner:: Competições foi um caminho para me acostumar com os palcos. Fiz isso dos onze aos dezesseis anos de idade. Depois, comecei a odiá-las, então parei de cantar por alguns anos até que comecei a compor - e isso naturalmente levou algum tempo. Creio que quando comecei a escrever Departure, não sabia que o estava fazendo... escrevo para sobreviver... me tornaria numa pessoa complicada se não pudesse escrever música ou poesia.
PoppyCorn --> O que te inspirou no desenvolvimento de Departure como cantora/compositora?
Carla Werner: Vida, amor, dor, paixão... experiência é o tema maior de Departure... e quero continuar tendo muitas delas.
PoppyCorn --> Qual canção (de Departure) descreve Carla Werner melhor? E porquê?
Carla Werner: A canção título é parte de mim. Todas são de sua maneira, mas a expressão melancólica, os acordes, a melodia, o tema, a dinâmica, são partes de mim que durante anos explorei como compositora... essas direções individuais representam minha forma de compor. Gostaria de pensar que posso ir à qualquer lugar.
PoppyCorn --> Há uma faixa escondida em Departure de você cantando no chuveiro quando tinha cinco anos de idade, certo? De quem foi a idéia de colocar essa gravação no álbum?
Carla Werner: Queria colocar algo ali que fosse de uma fase muito significativa de minha vida, pois creio que cada etapa é importante. Na verdade, é como uma marca de quão longe você conseguiu ir. Queria retribuir à minha infância por esta primeira parte desta longa estrada.
PoppyCorn --> Antes do lançamento do seu primeiro álbum, você cantou com Paul Oakenfold (uma das maiores figuras do trance e house), certo? Como foi essa experiência e como contribui para o seu trabalho?
Carla Werner: Pediram-me para escrever alguma letra e melodia para uma faixa a ser lançada no disco dele. Escrevi a canção em quarenta minutos e cantei-a em trinta. Foi muito rápido, espontâneo e bom tentar algo diferente do que estava acostumada a fazer. Estou aberta para todas as coisas e espero que tudo esteja para mim. Cantei a canção no Top of the Pops no Reino Unido quando estava em primeiro lugar nas paradas... foi uma boa experiência e acabei conhecendo Robert Plant.
PoppyCorn --> Esta colaboração ajudou a divulgar sua música, a partir de que você e Oakenfold têm estilos diferentes?
Carla Werner: As pessoas estavam curiosas em saber quem eu era na época e iam às apresentações, mas não houve nenhuma divulgação massiva em relação à faixa, bem... não de minha parte. Então, suponho que eu era uma estranha no ninho, mas aquilo foi criativo e valeu à pena.
PoppyCorn --> Você tem conhecimento de música brasileira? Se sim, gosta de alguma em particular?
Carla Werner: Conheço alguns brasileiros em Bondi (Austrália), mas receio que não sejam músicos, e sim excelentes tatuadores. A cultura brasileira é muito bonita. Me faz lembrar (especialmente na tradição artística) a cultura Maori. Nasci e cresci na Nova Zelândia, sou parte Maori. Creio que todas culturas devem ser respeitadas e cada vez estar mais ligadas à Terra como estamos agora. A tecnologia fez com que nos afastássemos de nossas raízes.
"Roots Bloody Roots" era uma grande música de uma ótima banda brasileira – Sepultura. Eles eram legendários aqui e ainda são. Não vejo a hora de ir ao Brasil... você acha que alguém gostaria de me ver tocar?
PoppyCorn --> Li que você irá dar aulas de música no verão australiano. É verdade? Conte-me deste projeto.
Carla Werner: Sim, queria abrir minhas portas para pessoas que queriam cantar. Creio que quanto mais as pessoas estiverem cantando, mais felizes serão.
Tenho novos alunos agora e mais para ensinar... gosto de fazer isso... é bom para a alma!
PoppyCorn --> Qual o próximo passo para você agora como artista? Shows, novo disco, uma turnê na América talvez?
Carla Werner: Sim, certamente um novo disco. Estou gravando novas faixas para este trabalho e será diferente. Irei voltar aos palcos para fazer uma turnê nos Estados Unidos. Se tiver sorte, irei à Europa e América do Sul. Estou querendo colocar em prática o que aprendi neste último ano. 2004 foi calmo para mim, mas estou procurando agitação para 2005.
Mais informações sobre Carla Werner, podem ser encontradas no site oficial da cantora. 02/12/2004
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