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 Há três anos, o simpático e divertido O Diário de Bridget Jones conquistou um monte de gente, melou ainda mais os corações (solitários ou não) e imortalizou a “cara-de-choro-mas-ainda-assim-bonitinha” Renée Zellweger como a personagem-título. A escritora Helen Fielding lançou livro novo, “Bridget Jones: No Limite da Razão”, e pouco tempo depois a inevitável seqüência cinematográfica é lançada com sabor de caça-níquel, muito embora os mesmos atores e personagens estejam novamente presentes. Mas, sabe aquele típico amigo/colega que você não vê faz um certo tempo, e então ele volta, mas completamente chato e, pior, sem ter evoluído uma gota sequer, ou, pior ainda, aparentando ter regredido em seus pensamentos e ações? Com No Limite da Razão, a sensação é semelhante.
Numa demonstração de que relacionamentos amorosos podem, sim, deixar pessoas chatas, Bridget Jones, namorando com Mark Darcy (Colin Firth) há cerca de dois meses, passa a ter dúvidas e incertezas sobre como manter um namoro perfeito – com direito a apoio oficial da Coca-Cola – com o “grande amor de sua vida”. Casório, dúvidas sobre a fidelidade do companheiro e o reaparecimento do “fast relationship” Daniel Cleaver (Hugh Grant) são indispensáveis, obviamente.
 Devidamente rechonchuda para o papel, Zellweger (que aumentou 13 números na balança) até tenta nos convencer de que sua personagem continua a fofura-pelúcia do primeiro filme, inclusive caprichando no sotaque britânico, mas aqui Bridget está simplesmente insuportável, especialmente na irritante e desbotada paranóia do “Ele estaria me traindo?”, piada pouco inspirada que o longa utiliza descontroladamente, finalizada com um “ lesbo touch” forçado. “Forçado”, aliás, parece ser a palavra exata para a maioria do humor visto em No Limite da Razão, que praticamente recicla todos os momentos mais cômicos do filme original, desde a blusa de Darcy até a desajeitada briga física entre ele e Cleaver; até a piada da “bunda na câmera” se repete. Bridget Jones 2 não aposta, limita-se a se aproveitar.
 Voltando a falar da chatice da protagonista, difícil entender como Darcy, moço prendado dos mais prendados, tenha suportado dois meses ao lado de uma Bridget que chega ao ponto de suspeitar da atração de seu parceiro (entre outras coisas, como ter amigos manés e acatar seus conselhos – ou seja, além de tudo, a moça é sonsa), por mais que, segundo ela mesma, transem maravilhosamente bem. Para um filme que atira para todos os lados em busca do humor mais barato, uma briga entre o casal é previsível, assim como um affair repeteco com Cleaver, presença não muito longa de Hugh Grant, divertido (como sempre) no comando da canalhice de seu personagem, que acaba se tornando o único ponto realmente digno do charmoso e cínico humor britânico, tão bem representado em comédias românticas vindas do Reino ( Quatro Casamentos e Um Funeral, Um Lugar Chamado Notting Hill, o próprio O Diário de Bridget Jones, Simplesmente Amor, Wimbledon, etc), mas tão ausente em No Limite da Razão, que se revela comédia-pastelão das piores. Vale de tudo, até drogar Bridget... Só que nem riso fácil como esse eles conseguem.
Talvez pelas carismáticas presenças de Grant e Firth, e também pelo esforço de Renée, dar descontos para o filme, até certo ponto, é algo não condenável, até que surge uma das seqüências mais ridículas e patéticas dos últimos anos, envolvendo Bridget, presidiárias, Tailândia e Madonna. Aí não tem boa vontade que agüente, sinto muito. Seleção musical também parece agir como um tipo de “funcionária-padrão”, usada a exaustão pela diretora Beeban Kidron (responsável por Para Wong Foo, Obrigada por Tudo! Julie Newmar, entre outras mediocridades), que, dirigindo o longa nas convenções de uma novela das 7h (pastelão...), consegue apenas um único plano bacana, onde a câmera vai de Bridget a Darcy “sobrevoando” casas do bairro.
 Acho que, mesmo esse No Limite da Razão sendo uma bomba, Bridget Jones continuará uma heroína com bom número de seguidores, possivelmente pela eficiência e comunicação do filme original. E a mocinha é obesa, característica pintada como “defeito grave” por algumas camadas da atual padronização estética, o que significa uma certa “liderança dos subestimados”. O problema é que Bridget está um pé no saco, no limite mesmo. No limite da paciência.
Filme visto no Alvorada Cinema
Cine Stadium Center - Shopping Flamboyant
Dezembro/2004 - Goiânia, GO 17/12/2004
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