Batman para Iniciantes – Batman no Cinema
 
 
Se você viveu em uma ilha deserta com mais 40 pessoas e um monstro misterioso nos últimos 15 anos (e isto não foi televisionado), você não sabe praticamente nada que foi produzido do Batman nos últimos tempos, e acha que Batman Begins é o pontapé inicial do herói no cinema.
Bom... você está quase certo(a).
Batman Begins é, de fato, o pontapé inicial do herói no cinema, considerando que a DC e a Warner Bros. não ligam este filme aos outros cinco já produzidos. Como nós ligamos (afinal, cinema é diversão e ponto), é bom rever o que já foi feito com o Homem Morcego.
O primeiro filme do Homem Morcego é relacionado diretamente e simultaneamente ao seriado produzido nos anos 60 (aquele com um Batman barrigudo e os inesquecíveis “SOC!”, “PUM!” e “PAF!”).
Mas esqueçamos este...
“Batman”, o “primeiro”, é de 1989 e foi dirigido por Tim Burton (aquele amigo do Edward Mãos de Tesouro), assim como “Batman – O Retorno”, de 1992. Os dois filmes são impecáveis no quesito visual, ao retratar uma Gotham City realmente sombria, e são protagonizados por Michael Keaton, cuja contratação causou polêmica por ser um ator de comédias, baixinho e razoavelmente careca, mas ele não foi assim tão ruim.
No primeiro, o vilão é o clássico Coringa, um dos primeiros vilões dos quadrinhos, interpretado pelo “face doentia” Jack Nicholson, que rouba a cena em toda a película. No segundo são dois vilões: o Pingüim de Danny deVitto e a Mulher-Gato de Michele Pfeifer. Danny mantém uma personagem engraçada e assustadora, em doses iguais e medidas perfeitamente. Pfeifer encanta o espectador com seus olhos (de felina) e a roupa, cheia de “costuras” e incrivelmente colada ao seu corpo. Não tinha como não babar olhando pra ela...
Burton só pecava nos roteiros, fazendo o Coringa (claro, antes de ser o Coringa), ser o assassino dos pais de Bruce Wayne, e em um ponto ou outro. Ao meu ver, nada que atrapalhasse o ritmo da trama. Infelizmente, a Warner mandou Burton passear após “O Retorno”...
“Batman Eternamente” e “Batman e Robin” são completamente execrados pelos fãs do Cavaleiro das Trevas, e ambos foram dirigidos por Joel Schumacher.
“Eternamente” teve em Val Kilmer um Bruce Wayne apático, sem reação a nada (e isso nem dependia da máscara) e...loiro. Isso sem falar em uma armadura com saliências para os mamilos.
Os vilões foram o Charada e o Duas-Caras. O primeiro, interpretado por Jim Carey, abusou das caras e caretas para convencer como o vilão que envia enigmas para o herói. Já Tommy Lee Jones parecia perdido como o homem de duas faces, e podia ter ficado em casa. Sua interpretação é mediana, mas nada que roubasse alguma cena, como Nicholson fez anteriormente.
Outro ponto do filme foi a adoção de um jovem (de aproximadamente 30 anos...) chamado Dick Grayson, que viria a se tornar o Robin, parceiro de lutas do Batman. A rapidez com que ele descobre o segredo do Batman e já ganha todos os seus aparatos é impressionante. Chris O´Donnel não fez mais que a obrigação, e a imagem do Robin bacana que acompanha os heróis nos quadrinhos sem temer nada vai pro brejo.
Em “Batman e Robin” a coisa piora: Alicia Silverstone, que andava sumida, aparece para se tornar a Batgirl, e o que era pra ser um filme sobre um herói solitário se torna um filme sobre um trio de heróis solitários (percebem a incoerência?).
Uma Thurman consegue provar por A+B como consegue ser deveras atraente e irresistível como Hera Venenosa, mas Arnold Schwarzenegger ficou frio (sem trocadilhos) e sem reação alguma interpretando o Senhor Frio. E olha que “Schwarza” já tinha evoluído bastante em suas atuações...
O Batman da vez é George Clooney, galã da época extraído do seriado “Plantão Médico”. Competente, mas sem saber dar um ar mais sério e sombrio ao Cavaleiro das Trevas, Clooney foi só um dos fatores que levaram a própria Warner a considerar “Batman e Robin” um fracasso.
 
Tudo parou
De 98 a 2004, muito se ouviu e muitos nomes foram falados para um “Batman 5”. E estamos falando de MUITOS: Keanu Reeves, Mel Gibson, Brad Pitt e Kurt Russell são alguns exemplos. A especulação foi tanta que a Warner foi obrigada a admitir que pararia com esta cronologia dos quatro filmes pra começar tudo de novo.
E nisso entrou Frank Miller.
Miller escreveu, nos anos 80, o clássico “Batman – Ano Um”, tratando do primeiro ano de aventuras do herói, e esta série de histórias passou a ser a referência dos estúdios para uma futura produção do Homem Morcego.
Nada de estátuas gigantes e vilões espalhafatosos: a ordem agora é mostrar como o Batman começou (daí o título do filme – Batman Começa). Mas entre definirem a linha a se seguir e o produto final demorou muito, mais precisamente até Christopher Nolan (“Amnésia”) assumir a direção.
O que se tem a impressão é que Nolan tomou as rédeas e acelerou a produção com maestria: logo saberíamos quem iria interpretar o Batman (Christian Bale) e, pouco depois, qual seria a linha a se seguir – além do Ano Um, quais seriam os vilões e a trama.
Pena que, enquanto isso, a Mulher-Gato ganhou um filme próprio. Michele Pfeifer recusou repetir o papel, infelizmente, e Halle Barry encarou o desafio. (Encarou e perdeu, podemos dizer...)
Batman Begins aparece para salvar a franquia do Homem Morcego nos cinemas, e somente nos cinemas, porque em desenhos animados ele está bem, obrigado. Visto que os principais atores possuem contratos para continuações, podemos ficar tranqüilos.
 
Leia mais:
18/06/2005
 
Voltar

Comentário dos leitores:

MICHAEL KEATON FOI O MELHOR BATMAN E A VISÃO DE BURTON ARRASOU.
Ronnie

De fato Tim Burton trouxe um clima sombrio para o filme, o que faltou nos filmes seguintes, um grande erro, pois os demais filmes foram um fisco, à exceção de Begins que trouxe uma história com mais conteúdo do que fantasia, propriamente dito. A franquia merece um roteiro de primeira, já que fãs não flatam. Afinal se há até vovôs que cuirtem o homem-morcego, hoje vemos crianças com a mesma paixão. Isso graças aos desenhos.
Ivan N.

>> Clique aqui para enviar seu comentário!



    ATUALIZAÇÕES
17/06 Van Damme, a redenção [JCVD]
17/06 Katie Melua [Katie Melua - The Katie Melua Collection]
28/05 Canto de casa para todos os pretos [Lívia Lucas - Canto de Casa]
28/05 Da Lama ao Caos. [Chico Science & Nação Zumbi - Da Lama ao Caos]
17/04 Meio que tardio [Guns and Roses – Chinese Democracy]
DO MESMO AUTOR
   LEIA TAMBÉM
15/08/2004 Cinema na Serra Gaúcha [Inicia-se o 32º Festival de Gramado]
29/10/2007 Boletim para fãs da sétima arte [31.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo]
16/12/2005 Dez bons novos motivos para ir ao cinema
21/11/2003 Batman - O Cavaleiro das Telas [Resumindo: Batman]
10/07/2006 Superman no cinema antes do Retorno [Superman]