A insustentável leveza do ser
 
 
 
 
 
A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, é um dos maiores clássicos da literatura contemporânea. Usando como pano de fundo o episódio que ficou conhecido como "Primavera de Praga", quando os soviéticos invadiram a Checoslováquia no final da década de 60, o autor tece um enredo altamente sensual e conflituoso como uma espécie de analogia ao que ocorria no país.
A princípio, a parece ser uma história bem simples. Tomas um médico-cirurgião, auto-suficiente em tudo, tem por hábito não se apegar em nada e nem por ninguém, deste modo sua vida tem uma reviravolta quando conhece Teresa, que é seu oposto e vive buscando uma fortaleza alheia. Uma gripe desencadeia o fio condutor da trama: Tomas agora tem que cuidar dela e de certo modo desenvolve um sentimento de compaixão que acaba se confundindo com o do amor. Paralelo a isto está sua amante, Sabina, que funciona como uma válvula de escape, um mecanismo que faz ele se sentir leve quando necessário.
A simplicidade aqui só está encenada, pois a obra é muito mais complexa do que se possa imaginar. Está dividida em partes não lineares com a finalidade de descortinar de maneira distinta a personalidade de cada personagem. Deste modo na primeira parte somos tragados pela perspectiva libertina de Tomas, depois entramos no mundo conflituoso de Teresa, seguido pela vida descompromissada da sensual Sabina e assim sucessivamente. Aliado a essa característica está uma linguagem altamente rebuscada – o autor chega a filosofar no início de cada fragmento a fim de contextualizar o problema - que provoca um direcionamento a distintos grupos de leitores. E o objetivo de Milan Kundera é justamente este, o de filosofar em cima de situações concretas e a partir daí extrair a abstração necessária. O próprio título já é um prenúncio do que será lido. Ele chega a questionar a Bíblia em um determinado trecho, mas o tema principal se concentra em torno de dois conceitos: o do peso e o da leveza. A leveza de Tomas, que vive a vida de forma arbitrária, uma leveza que esta fadada ao vazio de não viver em plenitude. Do outro lado está o peso de Teresa, que enxerga a vida com um certo amargor, como uma cruz a ser carregada, mas que a possibilita vivenciá-la. Este contraste faz todo o sentido quando analisamos a situação enfrentada pelo país na época: devemos nos envolver com o peso da repressão e contestá-la? Ou sermos submissos e leves?
Acima de tudo o livro trata da felicidade da busca, ou seja, somos felizes porque buscamos a felicidade. E a obra propõe esta busca ao leitor, valendo-se de uma narração concisa de Kundera que atua como comentarista das situações vivenciadas, revelando-nos as facetas dos relacionamentos humanos tanto no campo amoroso quanto político. Sem dúvida nenhuma, trata-se de uma boa leitura, mas o leitor precisa ter consciência de que os questionamentos estão muito além do que se aparenta, exigindo assim um senso crítico capaz compreender de tudo o que ali é exposto.
13/07/2005
 
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Comentário dos leitores:

Milan se supera mais uma vez com um livro que traz, a realidade a tona, de uma forma astuta, dramática e verdadeira.Com seus comentários críticos e forma de por as palavras, mostra que apesar da história fictícia , a realidade posta , é real refletida no comportamento humano.
Matheus jennings

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